terça, 26 dezembro 2017 15:32

Ricardinho: “Gondomar [está] nas bocas do mundo pelas melhores razões, só temos de estar orgulhosos” Destaque

Escrito por Vivacidade
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Ricardo da Silva Braga – “Ricardinho” no planeta do futsal – tem 32 anos e não se cansa de levar Gondomar e as cores nacionais pelas bocas do mundo. O atleta destaca, entre outras coisas, que o orgulho dos gondomarenses o enche de satisfação. 

Para acabarmos com a polémica, és oriundo de Fânzeres ou de Valbom?

Nasci em Fânzeres, mas desde muito pequeno fui viver para Valbom.

O que te levou a optar pela prática do futsal numa altura em que a modalidade não tinha tanto mediatismo?

Fui forçado a tomar essa decisão. Eu jogava futebol, chamaram-me a fazer provas no FC Porto, mas mudaram de treinador e o novo técnico disse-me que gostava de jogadores altos e fortes e que eu era pequeno. Não poderia ficar. Então, no ano seguinte, chamaram-me para jogar futsal no Gramidense. Fui para lá, gostei e até hoje sigo neste desporto.

Passaste por dois clubes gondomarenses (Estrelas de Fânzeres e Gramidense) durante a tua formação. Sentes que foi importante?

Todos os clubes foram importantes para mim. O Estrelas de Fânzeres porque foi o primeiro e o Gramidense porque foi a minha mudança radical do futebol para o futsal, um clube ao qual tenho muito que agradecer.

Qual o grande “clique” que te fez querer ser jogador profissional de futsal?

Na altura estava a jogar no Miramar e treinava por três escalões: juvenis juniores e equipa principal. Um dia a equipa principal teve três jogadores expulsos, chamaram-me para ir jogar e eu fiquei louco, entusiasmado. Queria ficar sempre ali, era um tratamento diferente, as pessoas olhavam para o futsal de maneira diferente da formação. Correu bem, marquei três golos na estreia, e nunca mais voltei a treinar com os escalões mais jovens. Aí deu-se o clique. Percebi que podia fazer a minha vida através desta modalidade.

Quando surgiu o interesse do SL Benfica na tua contratação?

O Miramar estava a passar dificuldades financeiras e deixou sair todos os jogadores importantes da equipa principal para as equipas de topo em Portugal: SL Benfica, Freixieiro e Fundação Jorge Antunes. Só ficaram dois e foi então construída uma equipa totalmente nova. Felizmente estava a fazer uma temporada muito boa e terminei com 27 golos. Em dezembro, o Benfica ligou-me a perguntar se queria ir jogar para lá. Neguei porque tinha prometido que ficaria até ao fim da temporada naquele clube, acontecesse o que acontecesse, e assim foi.

O SL Benfica tornou-se o teu clube do coração?

Até hoje, um amor sem igual!

A rivalidade desses tempos com o Sporting ainda se mantém viva através da UEFA Futsal Cup?

Não sou contra o Sporting ou outro clube. Represento uma equipa chamada Inter Movistar, que é somente o melhor clube do mundo. E, naturamente, quero sempre ganhar frente a quem se cruzar no meu caminho.

Chegaste a sugerir a criação de futsal no FC Porto. Sentes que é uma falha?

Eu não sugeri. Perguntaram-me o que poderia ajudar a Liga Portuguesa a subir mais um patamar e então falei nessa possibilidade, como falei da profissionalização e da aposta mais forte na formação. Julgo que vende mais para a TV e comunicação social equipas de nome como FC Porto, SL Benfica, Sporting, Braga, Boavista, do que outros nomes não tão sonantes.

A tua experiência no futebol de 11 teve apenas pontos negativos?

Não. Bem pelo contrário. Fui muito feliz a jogar futebol, fui campeão, aprendi a amar a bola, aprendi que não ia ser um mar de rosas para chegar ao topo. Mas fui muito feliz, passei momentos maravilhosos e brilhantes.

O que esteve na origem da tua ida para o Japão? Já conhecias o Campeonato ou foi uma realidade totalmente nova? A vertente económica teve peso nessa decisão?

Fui porque o treinador Adil Amarante me falou dessa possibilidade. Era, de facto, bastante dinheiro e iria ajudar aquela liga a crescer. Ia levar o meu nome a outros mundos e seguiria a colecionar títulos.

Que balanço fazes dessa experiência fora da Península Ibérica?

Foi, inquestionavelmente, uma das melhores experiências que tive até hoje. Amei jogar no Japão: a cultura, a civilização e o respeito. Cresci muito como homem.

Segue-se o Inter Movistar e a Liga Espanhola. Sempre ambicionaste jogar num grande clube espanhol?

Sim, era o clube de sonho de qualquer jogador. Vencia quase sempre os títulos mais importantes, os melhores jogadores do mundo jogavam aqui, então todos queríamos chegar ao Inter. Felizmente consegui e estou a deixar a minha marca, vencendo títulos coletivos, individuais e a conquistar o povo espanhol.

É possível comparar os jogos frente ao Barcelona com aqueles derbys contra o Sporting?

SL Benfica contra Sporting não tem comparação de intensidade, rivalidade e fervor tendo como comparação os jogos frente a Barcelona ou El Pozo. Aqui, não existem as claques loucas e apaixonadas como em Portugal.

Atualmente, sentes-te como o grande impulsionador da modalidade?

Sinto que ainda tenho muito por fazer nesta modalidade, mas estou muito feliz pelo que já fiz e continuo a fazer.

Tens uma tatuagem a homenagear Falcao, futsalista brasileiro. É a tua maior referência no futsal?

É e vai continuar a ser. Não é por eu ter sido o melhor do mundo quatro vezes que perdi a minha referência na modalidade. É o meu ídolo, só que eu agora também estou num patamar em que luto por ser o melhor a cada ano que passa. Estarei sempre grato pelos seus conselhos e palavras, embora tenha também a minha história para escrever.

Já recebeste vários prémios individuais ao longo da tua carreira. Trocarias todos por um título pela nossa seleção?

Todos não. Existem prémios que custaram muito a vencer, uns mais do que outros. Mas se pudesse trocar só por metade era já na hora [risos]. Agora por todos não, porque exigiram muita dedicação e há que valorizar.

Temos o melhor futebolista, o melhor futsalista e o melhor jogador de futebol de praia. É um atestado de competência aos atletas portugueses?

É a prova de que não importa de onde vens, que língua falas, se és grande ou pequeno. O que importa na verdade é a dedicação, o profissionalismo, o carácter e o teu talento. E nós temos isso.

O que representou para ti seres campeão europeu de clubes? Foi o troféu mais saboroso?

Foi maravilhoso, mas nada comparado ao troféu conquistado em 2010, pelo SL Benfica. Sem palavras. Foi o título mais bonito da minha carreira.

Sempre lutaste muito para que o fosso financeiro existente entre o futebol e o futsal fosse reduzido. É uma luta que tem dado frutos?

As coisas felizmente vão melhorando, pelo menos aqui em Espanha. Em Portugal, continuo a achar que ainda mudou pouco, mas vejo algumas equipas com melhores condições. Obviamente que nunca vamos conseguir isso, porque o futsal é amor e paixão. O futebol é paixão e negócio.

Tens jogado várias vezes no Pavilhão Multiusos de Gondomar. É sempre especial voltar a casa?

É como quando vives no estrangeiro e voltas a casa de férias, à tua terra, para estares junto dos teus familiares e amigos. A tua cama, o teu lar. É isso que eu sinto quando volto ao Multiusos de Gondomar.

O nosso Multiusos é o espaço ideal para jogar futsal em Portugal?

É um dos melhores pavilhões que há em Portugal, tem todas as condições para a melhor prática do futsal.

Estás também ligado ao Pinheirense e à formação do clube. Sentes que este teu contributo é importante para os mais jovens?

Não estou ligado ao Pinheirense, já estive. Mas, infelizmente, ao final de um ano, percebi que a política do clube não se identificava com a minha e seguimos caminhos diferentes. Cada um com as suas ideias e ambições, mas o mais importante é que Valbom e Gondomar sejam sempre bem representados.

À data da publicação desta entrevista, a CED já terminou. Como gondomarense e embaixador, que balanço fazes?

Penso que estamos todos de parabéns. Nós, os gondomarenses, a organização que está no topo, um staff fantástico a trabalhar por trás, eventos maravilhosos e Gondomar nas bocas do mundo pelas melhores razões, só temos de estar orgulhosos.

Foste considerado “Atleta de Excelência” na última Gala do Desporto de Gondomar. Os gondomarenses demonstram sempre um enorme orgulho em ti. É mútuo?

Sem dúvida! Tenho um orgulho enorme de ser gondomarense e de ver Gondomar com atletas de excelência. Estou igualmente muito agradecido pelo carinho que recebi de todos.

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